Como saber se o seu médico é cesarista?

Qual o seu sonho para o parto? É um parto normal? Com ou sem intervenções? Humanizado ou não? Ainda não pensou nisso? Empodere-se! Se o seu bebê ainda estiver guardado na sua barriga (não importa se você está com 9 ou 39 semanas), ainda é tempo de pensar sobre o assunto, se informar e, se necessário, mudar de médico. Antes, disso, claro, você precisa decidir ter um PN.

E se você resolver que deseja que o seu filho chegue na hora dele e por vontade própria e não quer ser enganada ou forçada (veladamente ou não) a fazer uma cesárea, procure observar certos aspectos do seu médico. Porque, por mais que nos preparemos, a hora do parto é muito, muito delicada e um profissional com má vontade ou destreinado por colocar tudo a perder. E sim, há profissionais excelentes. Porém, muitos outros, por má-fé, comodismo ou puro e simples desconhecimento do que é um parto normal (passaram a carreira inteira fazendo cesáreas), fazem de tudo para que a gestante opte pela cirurgia.

Não acredita que isso acontece? Deixe-me adivinhar: o seu médico (ou médica) é um(a) fofo(a). Ah… todos eles são. Até a hora do parto. Até a hora em que você ficará refém dele.

Vale muito reservar um tempinho para assistir ao Renascimento do Parto, um ótimo documentário sobre os GOs fofos desse nosso país e sobre como é possível mudar a SUA história:

Ou conhecer a história de mulheres que sofreram com a violência obstétrica, por simplesmente estar parindo, por fazer uma cesárea ou por se revoltarem contra o sistema:

Por isso, em tempos de internet, google, facebook e tantas outras fontes de informação, não se deixe ser enganada pela sua médica. Além da lista da doutora Melania, confira sinais claro de que o seu médico fofo pretende, sim, fazer uma cesárea, embora ele jure o contrário:

  1. O seu médico é do convênio. E o seu parto será feito pelo convênio. Bem, pelo o que andei pesquisando, é mais fácil achar um pássaro dodô vivo do que um GO que atenda convênio e faça parto natural como rotina. O motivo é simples: tempo E dinheiro. Uma cirurgia cesárea poupa tempo e paga melhor do que o parto natural. Quanto mais cesáreas, mais dinheiro entra em menos tempo. Simples assim.
  2. Ele nunca é claro sobre o momento do parto. Quando você pergunta (ou afirma): “doutor, o meu parto será normal”?, ele apenas assente com a cabeça, diz “vamos ver”, “talvez”, “se tudo der certo” ou qualquer coisa do tipo. Um médico humanizado diria algo do tipo: “claro, por quê não”?
  3. Você tem a clara sensação de que o parto é algo muito, muito perigoso. Assim como a gestação. A cada consulta o médico avalia e procura por problemas. Supõe e prevê vários problemas durante o seu parto. Entenda, há uma sutileza aí. É diferente de pedir todos os exames de rotina do pré-natal como um acompanhamento cuidadoso. A cada consulta, além da guia dos exames, em vez de sair tranquila, você sai com uma nova pulga atrás da orelha colocadas por “previsões”, às vezes, sem sequer ter o resultado dos exames: você desenvolverá pressão alta, terá diabetes, não terá dilatação (veja o próximo tópico), o bebê ainda não virou, o bebê ainda não encaixou, Na verdade, você não tem sossego. Você vai ficando com medo, com tantos problemas rondando (e muitas vezes, nenhum chegando…).
  4. O seu médico faz exame de toque, mesmo se você ainda não estiver em trabalho de parto. E ainda diz: “olha, você não tem dilatação”… ou “Você tem um centímetro de dilatação, isso é muito pouco”… Bem, se você não está parindo, saiba que não há necessidade de ter dilatação. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o exame de toque deve ser feito apenas durante o trabalho de parto. Leia uma cópia do documento aqui. Ainda há médicos que, durante o exame vaginal, fazem o descolamento de membranas sem o consentimento da gestante para tentar forçar um trabalho de parto. O exame de toque, se for feito, deve ser durante o trabalho de parto e de forma criteriosa e jamais após o rompimento da bolsa, pelo risco de infecções.

    Os médicos, enfermeiros, o pai, o bebê... cadê  mãe? Isso é uma cesárea.

    Os médicos, enfermeiros, o pai, o bebê… cadê mãe? Ah, anestesiada na mesa, atrás do pano.

  5. A taxa de cirurgia cesárea dele é muito maior do que a de parto normal. Isso você pode saber perguntando ao seu médico, na cara dura. Se ele se recusar a responder, desconversar ou disser que não sabe, de qualquer forma, você já tem a resposta.
  6. Seu médico fala apenas dos perigos do parto normal, nunca dos benefícios para a mãe e para o bebê. E apresenta a cirurgia como a melhor saída. Isso vai contra evidências científicas. Segundo o Ministério da Saúde: “Na cesariana, também é mais freqüente a ocorrência de infecção e hemorragias, além da possibilidade de laceração acidental de algum órgão, como bexiga, uretra e artérias, ou até mesmo do bebê, durante o corte do útero. A gestante pode, ainda, ter problemas de cicatrização capazes de afetar a próxima gravidez. A freqüência dessa cirurgia também limita a possibilidade de opção pelo número de filhos. “Nenhum médico deixaria uma mãe chegar a realizar seis cesarianas. (…) A incidência de morte materna associada à cesariana é 3,5 vezes maior do que no método natural. “Os riscos são inerentes à própria cirurgia, a começar pela anestesia, em que a possibilidade de uma reação é imprevisível”. (…) Os benefícios do parto normal são inúmeros, tanto para a mãe como para seu bebê. Vão desde uma melhor recuperação da mulher e redução dos riscos de infecção hospitalar até uma incidência menor de desconforto respiratório do bebê”. Para ler o texto completo, aqui.
  7. Ele não explica nada sobre como é um parto normal, como reconhecer o trabalho de parto, como aliviar as dores das contrações, posições para parir. E parto na água só serve para afogar nenê (!!!). Nem se você perguntar, no máximo dá uma resposta sucinta. Seria um desperdício, você não vai precisar destas informações (na cabeça dele). Isso, se ele souber, claro.
  8. Você já fez uma cesárea. Isso não é impedimento para o parto normal (VBAC ou PNAC). Citando o Ministério da Saúde, no mesmo link do tópico anterior: “Já existem estudos comprovando a possibilidade de ter filhos pela via vaginal nesses casos. O que não se recomenda é induzir o parto. Ou seja, usar alguma substância, geralmente a ocitocina, para acelerar o trabalho de parto, aumentando a força das contrações e diminuindo os intervalos entre elas.”.
  9. As outras pacientes dele fizeram cesárea. Se você não tem uma amiga ou conhecida para dar referências, fale com as mães com bebês na sala de espera, enquanto aguarda sua vez. Dê os parabéns, pergunte como foi o parto. Se todas responderem que fizeram cesárea, e apenas uma disser que teve o bebê na frente da maternidade, você já tem suas referências.
  10. Os motivos das cesáreas das outras clientes são coisas do tipo: não teve dilatação, não tinha passagem, estava passando da hora de nascer, placenta é grau 2, grau 3 ou qualquer outro grau, (ver o número 99 da lista da doutora Melania), cordão enrolado no pescoço. E por coincidência, todos os partos foram no mesmo dia da semana. Ahãm.
  11. Seu médico assume que faz cesárea, mas diz que, com você, será diferente. É possível. Mas muito improvável. É mais ou menos como pedir a um médico alopata para receitar homeopatia, ou o contrário. Se o médico não tem experiência em parto normal, como você espera que ele se sinta seguro para fazer algo que saia tanto de sua zona de conforto? Pense nisso.
  12. Ele avisa que não deixa as pacientes sofrerem. Ou diz que parto natural é coisa de bicho. Ou ainda, que não gosta de arriscar (o quê? A cirurgia cesárea é mais perigosa que um PN!).

Se você ainda tiver dúvidas, pergunte para quando ele acha melhor agendar a data. Se ele sorrir e abrir a agenda, corra. Procure informações e outro médico.

Desejo uma boa hora, e se quiser mais informações, é só mandar um e-mail.

Imagem: peguei daqui.

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9 pensamentos sobre “Como saber se o seu médico é cesarista?

  1. Só pra constar, com relação ao item 1, ainda não achei pássaro dodô vivo, mas minha GO faz parto humanizado 100% pelo convênio, e só cobra a diferença caso se opte por upgarde de categoria na internação (por pressão dos colegas, porque nem isto ela cobrava). É muito amor ao que faz! Ela é ótima e uma referência em Porto Alegre, junto com o Ricardo Jones. Tive minha filha num parto hospitalar humanizado, com acompanhamento de doula, e sem nenhuma intervenção, assim como várias amigas e colegas de yoga pra gestantes. Fica a dica pra quem for destas bandas!

  2. Pingback: Ministério Público Federal abre inquérito para investigar denúncias de Violência Obstétrica | Papai, tá perdido?

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