Como falar “não” com amor

Bem, tenho que ser honesta quanto a uma coisa: nunca fui uma criança que deu trabalho. Era quietinha, não futucava as coisas. E depois que cresci um pouco, aprendi a fazer as minhas artes de uma forma… escondida. Especialmente se eram no colégio. Também nunca apanhei. Apenas um dia levei uma “quase” chinelada da minha mãe, que estava muito brava comigo e com razão. Eu passei dias enchendo a paciência dela.. mas isso é outra história. Ela imediatamente se arrependeu e nunca mais sequer ameaçou me bater – e ela nunca tinha ameaçado antes. Sem querer justificar a “quase” chinelada, acho que foi um dia com uma junção infeliz de criança que quer testar a toda prova e a enxurrada de graves problemas que ela vinha heroicamente enfrentando. Aconteceu, paciência. Mas esse dia me marcou muito porque eu me dei conta de uma coisa: eu nunca tinha apanhado. E sabia que nunca mais sequer uma ameaça aconteceria: minha mãe sempre foi mulher de palavra, no melhor estilo old school.

Meus amigos do colégio, em sua maioria, apanhavam. Meus primos, (acho que todos), apanhavam. Apenas eu que não. E nunca fui mal-educada (com uma ou outra arte sem-noção de criança). E é daí que tiro a maior lição que uso para educar o meu filho.

Quando ele tinha 3 meses, eu estava colocando o pequeno para dormir com tapinhas na bundinha. E lembrei dessa história. E prometi a ele que, tapa na bunda, só de carinho. E, em matéria de promessas, sou uma old school, como minha mãe. Comecei a me preparar para quando ele crescesse e começasse com as artes.

dizer-não

Hoje, com um ano e cinco meses, ele é um menino muito ativo, curioso, corre para todo lado, pega tudo, futuca em tudo. Arrebenta uma trava de gaveta por semana. E ouve e respeita (dentro do limite do bebezão que ele é) o “não”. Ele ainda não chegou na fase de testar (de verdade), mas acho que não terei grandes problemas por duas razões muito simples: primeiro, o que eu faço, posso continuar fazendo conforme ele crescer, com algumas adaptações. Isso mostra uma atitude consistente. Segundo: eu não me incomodo. Perceba, eu disse INCOMODO, e não IMPORTO. Eu corrijo sempre que necessário, mas não deixo que seja uma fonte de stress, compreende? Isso ajuda muito nas atitudes dele, porque, queiram ou não, quem dá o tom de como o barco navega são a mãe e o pai. Confira algumas dicas para falar o “não” com amor e, ao mesmo tempo, educar. Sem stress. Sem nervoso. Sem gritos. Especialmente aos pais, que tem um tom de voz mais forte e que devem, sim, estar atentos à isso para não assustar a criança. Você quer que o seu filho tenha medo de você?

  1. Assuma a responsabilidade. Nada de “vou contar para o seu pai/mãe”. Assim, você mostra para a criança que não é capaz de lidar com o problema e joga uma bomba na sua moral com o pequeno.
  2. Modere na quantidade de “não”. Se você fala não mil vezes por dia, a palavra perde o efeito. Deixe o “não” para coisas importantes. Não fale “não” apenas por capricho seu, para chatear a criança ou porque acha que seu filho tem que se acostumar com isso. Tenha motivos justos (não tenho dinheiro, você já tem muitos brinquedos, machuca, quebra, etc).
  3. Mantenha a calma. Não se incomode, mas se importe SEMPRE. Dê atenção ao que precisa ser corrigido. Esse é o segredo da paciência de Jó.
  4. Com os pequenininhos, você pode falar não, balançar a cabeça, balançar o dedo e sorrir. Sim, sorrir. Quando você dá uma bronca, abre a porta para choro, birra, teimosia e pirraça. Com o sorriso, o “não” deixa de ser uma punição ou algo desagradável. Com o tempo, eles mesmos fazem que não como dedinho.
  5. Explique, em seguida, dentro da capacidade de entendimento da criança, o motivo: faz dodói, é feio, quebra, etc. Não importa a idade: 8 meses ou 5 anos.
  6. Se o seu filho é bebê, comece o mais cedo possível, sempre de forma agradável. Se ele é maior e o mau hábito já se instalou, aí você tem que ter 100 vezes mais paciência e persistência para mudar o comportamento.
  7. Não negocie. Não é não. Diga que não pode, o motivo e mude de assunto. Dependendo da idade da criança, se ela teimar, vale “mudar de assunto”: mostrar um brinquedo, carregar ela para outro lugar, puxar outra conversa.
  8. Birra: O que chamamos de birra, não raramente é uma necessidade não atendida da criança: ela pode já estar chateada por fome, sono, cansaço. Tenha certeza absoluta que o seu filho não está chateado por um desses motivos e descontando em outra coisa. Outra coisa, nenês de 8 meses (e menores, menos ainda) não fazem birra ou manha: eles ficam magoados porque suas necessidades não são atendidas. Se a criança está fazendo birra, é porque aquilo é muito importante para ela. Se for em casa, abaixe, explique o motivo do não e converse com ela, pergunte como está se sentindo, mesmo que ela ainda não saiba responder. O importante é você mostrar que está ao lado dela nesse momento de frustração. Se for em público, saia com a criança do local. Sente e, olhando nos olhos dela, e explique que os motivos do não, mostre que está ao seu lado até que ela se acalme. E pronto, mude de assunto. De forma geral, birra é: chorar porque não ganhou algo que queria. Para diferenciar bem, o meu filho pequeno sempre gruda na minha perna e chora quando me vê colocar a comida no prato. É porque ele quer comer e ainda não aprendeu que é preciso esperar. Dou um pedacinho a ele e peço para ser paciente. Ele tem 1 ano e 5 meses e, depois do tal pedacinho, aguarda. Por isso procure sempre ter certeza do que o seu filho está pedindo – sem sempre entendemos bem – e na maioria das vezes, são desejos muito impostantes para eles e bem fáceis de serem atendidos.

Enfim, ser generoso e gentil para negar algo aos filhos é o tratamento mais amoroso que se pode dar. Lembre-se que, embora pequeno, ele é uma pessoa e trate-o como você gostaria de ser tratado.

Espero que as dicas ajudem e o “não” deixe de ser um tormento.

E você, como faz? Conte aí nos comentários!

*Editado em 16/02/2014.

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5 pensamentos sobre “Como falar “não” com amor

  1. To pensando muito a respeito disso pq minha filha com 9 meses começou a ficar muito pirracenta! Nao sei se posso adverte-lá, pq nao sei se ela compreende. Tenho medo de nao repreender e ela acabar “acostumando” que eu sou passiva. Mto boas as dicas! Bj.

    • Falamaria, os bebês possuem sua personalidade, mas eles também vão na nossa onda. Quando você faz a cara feia e dá um não bravo, a tendência é que eles reajam a isso ficando chateados, chorando. Quando você vai por outro caminho, mostrando que não é nada de mais, a tendência é eles entenderem dessa forma. Procure trocar por outra coisa que possa ou distrair a criança com outra coisa, como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo. Eles tem uma facilidade incrível por se interessar por outras coisas, e isso ajuda bastante. Menos choro, mais risadas! Beijos

    • Valéria, isso mesmo. Evite usar o não para coisas mais bobas. quando a gente fala não para tudo, quando é importante, a criança já não dá mais bola. Além do que, não poder, já em si, é uma frustração. O interessante de fazer isso é mostrar que a frustração ou não ter as vontades realizadas não é algo ruim, é algo que acontece o tempo todo. Afinal, a vida não é assim? Beijos

  2. Pingback: Como lidar com a frustração dos filhos? | Papai, tá perdido?

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