Reflexões sobre adoção

Adoção é coisa séria. Parece meio óbvio falar isso, mas não é. Muita gente menospreza a adoção. Uns, porque acham que não vão conseguir amar uma criança que não veio de “dentro”, que não tem o mesmo sangue. Outros, porque (desculpem a forma de falar, mas tem muita gente que pensa assim) acham os pais são uns coitados que não puderam ter um filho e tiveram que recorrer à adoção. E ainda olham para a criança como uma coitada, que teve que ser adotada. O que mais tem é gente preconceituosa em relação à adoção, como se a criança fosse “menos filho” do que o gerado biologicamente. Detesto esse tipo de gente.

Tem adoção de tudo que é jeito: a legalizada, nas quais os pais entram em contato com o serviço social e ficam na filha esperando um bebê, normalmente loirinho de olhos azuis. Tem gente que espera até uma década, mas não abre mão das exigências para ter um bebê para chamar de seu, outros se mostram mais maleáveis. Tem a “adoção à brasileira” (que parece até nome de comida), que é ilegal, feita por baixo dos panos, na qual a mãe doa a criança para alguém conhecido ou indicado por um conhecido e a nova mãe dá um jeito de registrar o bebê em seu nome. Tem a adoção familiar, que a criança é filha de um parente, mas acaba sendo criada mesmo pela pessoa que se responsabilizou por ela, seja porque a mãe, (não importa o motivo) não pode cuidar do bebê ou pelo falecimento dos pais… Enfim, as mais diversas situações levam uma criança a ser adotada, mas apenas uma leva alguém a adotar uma criança: a vontade desesperada, a necessidade de amar e cuidar de alguém, que vem de lá do fundo do coração e da alma. É o sentimento de que há alguém faltando.

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E quer saber? Essa pessoinha pode estar faltando mesmo. E pode ser que você tenha que ir atrás dela. Pode ser que alguma situação do destino a coloque no seu colo, mas convenhamos que isso é mais difícil. E o resumo da ópera é o seguinte: mãe é mãe. Não importa se pariu ou não. Pai é pai, não importa se é biológico ou não. Pai e mãe são os que criam, amam, vestem, trocam as fraldas, ajudam com a lição de casa, se desesperam com uma febre ou com um espirro. São aqueles que sofrem quando o filho está triste e choram nas apresentações do colégio. São os que trabalham incansavelmente para dar tudo o que podem de melhor para o filhote. ISSO É SER PAI OU MÃE.

Por isso, não importa se o seu filho não chegou bebê. Talvez ele tenha chegado com dois, três, seis anos. Talvez ele não se pareça fisicamente com você. Talvez tenha sofrido algum tipo de violência ou passado algumas necessidades e precise de algum tempo e muita paciência para adaptação. Fácil, não é. Mas não é fácil ter filhos, não importa se da barriga ou do coração. Pais e mães, todos, da barriga ou do coração, têm suas dificuldades para criar os filhotes e isso depende de cada família.

Eu acredito que o amor dos pais adotivos é extremamente bonito e nobre. Antes que as mães corujas me arremessem pedras, deixem-me explicar. Não estou desfazendo do seu amor pelo seu filho, muito menos fazendo qualquer tipo de comparação. Nem do amor pelo meu filho, também tenho um feito aqui na minha barriga. Mas nós geramos essa criança. Passamos nove meses sonhando com ela, que veio de dentro da gente. É uma coisa biológica, até instintiva, morrer de amores por essa coisinha pequena e indefesa que é um bebê. Ok, eu sei, tá cheio de mãe biológica que não ama o filho, bate, espanca, nem liga, mas esse texto é apenas sobre amor.

Os pais adotivos vivem uma realidade completamente diferente. Muitas vezes, passam pelo trauma de saber que não poderão gerar um bebê. Depois de se refazerem do trauma, sonham anos a fio com um bebê que nem sabem se vai chegar. Que pode nem ser um bebê, pode já ser uma criança. Que, muitas vezes, não sabem de onde veio, de quem veio. E, de repente, quase sem aviso prévio, chega. E está lá. E eles amam de graça. Simples assim. É um amor gratuito, tão generoso, que me enche os olhos de lágrimas apenas de pensar. São pessoas que tinham um buraco em seu coração e que foi preenchido. São pessoas que acolhem crianças que ainda não tem um lugar para chamar de seu. Que vieram ao mundo sem tem uma família que as quisesse e amasse. É uma das coisas mais lindas do mundo, pois toda criança adotiva foi, um dia, uma criança rejeitada. E a rejeição é um dos sentimentos mais dolorosos que existe. A adoção chega para colocar um bálsamo na ferida de alguém tão pequeno, de alguém que não deveria ter ferida nenhuma.

quero uma familia

E aquelas pessoas que já tem filhos, mas acham que a família pode ser maior e adotam mais um ou dois filhos? Nossa, acho isso incrível. Eu quero poder fazer isso um dia. Por isso, adoção é motivo de orgulho, de peito inflado, de alegria. Não pense, por favor, que se o seu filho é adotivo, ele é menos “seu”. Pelo contrário. É muito mais que uma ligação biológica. É uma ligação que vai além, que ultrapassa todas as barreiras. Adoção é tudo de bom. Se todo mundo com condições financeiras e psicológicas se dispusesse a adotar uma criança, pode ter certeza, esse mundo seria muito melhor. Seria um mundo muito mais generoso, feliz e e leve. E tenha dó dessas pessoas que olham com piedade. Elas não sabem o que é felicidade, são umas frustradas, pode ter certeza.

E você, o que acha? Deixe sua opinião nos comentários! Beijos

*fotos do google imagens.

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4 pensamentos sobre “Reflexões sobre adoção

    • Amor é amor, né Clau? Eu não recrimino quem deseja e exige um perfil de criança. É o sonho da pessoa, acho que temos que respeitar. A minha intenção foi mostrar os diferentes tipos de pessoas e desejos, mas que tem um sonho em comum: o de ser pais. beijocas!!!

  1. Amei o texto , simplesmente perfeito! Eu sou adotada, tenho o maior orgulho disso. Tenho pais incríveis, sei o quanto eles desejaram ter alguém pra dividir as alegrias. Estou grávida do meu primeiro filho, e já penso em mais pra frente adotar uma criança. E por incrível que pareça, eu não quero um bebê, eu quero uma criança, acho que pra bebês já tem gente demais, agora as crianças são sempre deixadas de lado ( ou na maioria das vezes).

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