O bandeirinha, o atacante e a bola

 

Como boa parte dos homens, meu marido é meio fechadão e não muito chegado às conversas sobre “sentimentos”. Esses dias, vendo que ele estava bem perdido no que diz respeito à praticamente tudo sobre nós (eu, ele, nosso relacionamento, o bebê), pedi a ele que me explicasse, do jeito dele, como se sentia em relação ao furacão que virou nossa vida. E foram essas as palavras dele:

“Imagine um jogo de futebol. Tem todo mundo lá: os times, o juiz… Eu sou o bandeirinha. Aquele cara meio sem importância, que ninguém dá pela falta. Só aparece quando erra a marcação de um impedimento, um pênalti, para ser xingado. Pôxa, nem o juiz eu sou. Apenas um bandeirinha”.

Diante dessa explicação um tanto inusitada para mim, mas muito óbvia para o Rodrigo, procurei saber logo o meu lugar. E eu?

“Você é o atacante. E o Enzo (nosso filho) é a bola”.

Bem, foi uma das coisas mais surpreendentes que já ouvi. Nessa simplicidade assustadora, meu marido deu todo o panorama do que virou nossa vida desde que o nosso Enzo chegou. Como invejo esse modo prático dos homens.

Eu realmente sou o atacante. E o filhote é nossa bola.

Se, como meu marido, os homens se sentem um mero bandeirinha (desculpem-me bandeirinhas, nada contra bandeirinhas, amo os bandeirinhas :-D), nós, mulheres, podemos ser o atacante, com todas as vantagens e pressões inerentes à função.

Explico:

O atacante é o maior responsável pelo placar. Ser mãe e fazer uma cagada, é mais ou menos como o pênalti que o Baggio perdeu na Copa de 94. Foi assim que eu me senti quando o Enzo teve alergia a uma fralda e ficou com o bumbum assadinho.

E você, como homem, pensa: “E daí, é só uma assadura, passa a pomada que sara”. Pois saiba que no mundo materno a coisa não é bem por aí. A mãe que tem um bebê assado ouve com um leve, mas muito (MUITO) doloroso tom de superioridade e reprovação das outras mães:

  • O meu bebê nunca ficou assado!
  • Coitadinho, como você deixou isso acontecer?
  • Ah, tem algo que você não fez direito.

E uma coisa simples e boba vira uma tragédia.

Bem, eu que não sou de #mimimi, passei uma semana chorando escondido de madrugada e gastando tubos e tubos de pomada para o meu filhote sarar o mais rápido possível. Me senti o próprio Baggio. Parecia que o mundo tinha acabado.

Quando contei isso para o meu marido, ele me disse que deveria ter falado com ele. E deveria mesmo. Mas o atacante não quer ter problema: ele tem que ser perfeito, jogar bem e fazer gol. Nós, mães, temos que ser ótimas, lindas, magras, perfeitas e sorridentes, com bebês lindos, fofinhos, cheirosos e felizes. Se não for assim é: teve filho e relaxou, ela tá perdida, coitada da criança, etc, etc, etc. Bota pressão na coca-cola.

A verdade é que o meu marido – e todos os pais – são muito, muito mais importantes que o bandeirinha (de novo, nada contra bandeirinhas, amo bandeirinhas, rs). Vocês são parte de nós. Para sempre carregaremos uma parte de vocês. Nós amamos loucamente e perdidamente uma parte de vocês e isso nos liga para sempre, para o resto de nossas vidas. Isso sem contar que vocês, pais, podem – se assim quiserem, claro – ser parte fundamental da educação do filho, ser um exemplo de vida, de pessoa, a principal referência que o seu filho terá na vida. No meu caso, também amo perdidamente meu marido. Mas nem todas as mães tem um relacionamento assim com os pais (e tudo certo, cada família tem uma cara).

Voltando o jogo, eu diria que vocês estão como armadores ou volantes. Ficam na retaguarda, protegem e cuidam da gente, mas também ajudam na hora de fazer o gol.

E a bola? Ela está no jogo, vai para onde levam-na. Mas sem bola, não tem jogo. Arrisco dizer que, sem bola, nem existiria futebol.

 

E você, também se sente um bandeirinha?

 

Para saber mais:
Assadura

O que é?

Irritação na região das fraldas e do rosto causada por coceira e/ou umidade. No caso das fraldas, as fezes e a urina são os principais agentes irritantes, mas componentes químicos de fraldas, lenços umedecidos e pomadas podem, também, desencadear irritações. No caso do rosto e do pescoço, os fatores irritativos são a saliva, o vômito (famosa golfadinha), alguns alimentos, a fricção com as roupas e o frio.

Como sara?

Trocas de fraldas muito frequentes. Higienização do bebê apenas com algodão a água morna, secando muito bem, com uma fraldinha. Não esfregue a fralda, seque o bebê com leves batidinhas. Se possível, deixe a criança com fraldas de pano ou sem nada por uma ou dias horas por dia, até sarar. No caso do rosto e do pescoço, a mesma coisa: limpe e seque bem o pequeno (com leves batidinhas) sempre que ele se sujar.

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5 pensamentos sobre “O bandeirinha, o atacante e a bola

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    • Leandro… Você é amado da mesma forma – se bobear até mais. A diferença é que você não é – e nem vai ser por um bom tempo – a prioridade da vida dela. A prioridade de vocês dois agora é o bebê. E não é que você perde o lugar: os papéis mudam, a visão de vida muda…

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